Arquivo mensal: outubro 2012

Papéis e E.T’s

Padrão

Neste post quero falar sobe E.T’s.

E.T. – sigla para Extraterrestre ou extraterreno refere-se a tudo que é de fora do planeta Terra. A  expressão comumente designa outros planetas, e os seres vivos, inteligentes ou não, que vivam lá.

Mas falar de E.T’s num blog sobre origami?

Sim, porque tal como na vida real, na área da papiroflexia também existem obras que apesar de as vezes serem consideradas como pertencentes ao mundo do origami, podem na realidade serem consideras verdadeiramente seres extraterrestres, dignas a um mundo totalmente a parte da papiroflexia tradicional.

A estes trabalhos chamarei de P.E.T (Papiroflexia Extraterreste).

Para classificá-los, inventei um sistema que analisa seu grau de parentesco com o origami tradicional de acordo com a forma que são produzidos. Assim, quanto maior o grau de parentesco, maior a distância com o origami tradicional e maior a afinidade com a classificaçao como um Origami Extraterrestre.

O sistema funciona baseado nas características tradicionais de um origami que são:

  1. 1 Folha
  2. Não uso de tesoura.
  3. Não uso de cola.

Grupo I – este grupo caracteriza-se por ser o grupo com maior afinidade com origami tradicional (não corta / não cola).

  • Crumpling – também denominado como “origami amassado“. Consiste em amassar um papel molhado de forma estratégica afim de  formar origami inusitados tais como anêmonas, cogumelos e ouriços. Tem como um de seus principais representantes o francês Vincent  Floderer o qual é conhecido como o “Mestre do Amassado.”
  • Pureland Perspectivo – trata-se de uma incrível técnica em trabalhar com pequenas dobras no papel(vale e montanha), criando espetaculares obras em perspectiva. Simplesmente sensacional! Tem como principal representante o alemão  Simon Shubert.

Na escala de E.T’s, o Grupo I seria o nosso querido  Dr. Spock de Jornada nas Estrelas —>      

Grupo II– grupo um pouco mais distante do origami tradicional devido o uso de mais de uma folha para sua produção, não aturando no entanto o uso do corte. O uso da cola fica a critério do dobrador.

  • Origami Modular – é um tipo de origami, onde duas ou mais folhas de papel são dobradas em unidades, (módulos) afim de criar  estruturas  maiores e mais complexas do que seria possível usando um único pedaço de papel. Geralmente tal técnicas envolve a produção de surpreendentes figuras geométricas. Têm como um de seus principais expoentes Tomoko Fuse.
  • Block Folding (Kumitate) – é uma espécie de Origami Modular que utiliza apenas pequenos módulos triangulares os quais são unidos (encaixados) de forma a produzir diferentes formas e objetos ( animais, pássaros, flores e plantas, objetos como vasos, cestos e chapéus). Os módulos utilizados podem ser colados ou não.
  • Tea Folding – também conhecida como origami caleidoscópica miniatura.. Ela foi criada na Holanda por uma mulher chamada Tiny van der Plaas. Consiste no uso de oito ou mais pequenos quadrados idênticos de papel (obtidos da embalagem do chá),dobrado exatamente da mesma maneira.  Estes são ou interligados ou dispostos lado a lado. O resultado final é um medalhão simétrica que pode ser usado em cartões ou como decoração.

Na escala de E.T’s, seria nosso simpático  E.T de Steven Spilberg–>

Grupo III – neste grupo já começamos a notar diferenças que fariam qualquer origamista tradicional gelar seu sangue nas veias. Temos aqui o uso de corte e cola de forma moderada.

  • Kirigami – semelhante ao origami em que se trata de uma forma de arte de papel.  A principal diferença é que,  no origami, você dobrar papel enquanto em kirigami, você dobra e corta o  papel.  Trata-se da arte japonesa de produzir trabalhos decorativos através de dobras e corte de papel em diversas formas, denominado também de “trabalho de artesanato com recorte”. Tem sido realizado desde os tempos antigos em diversas regiões do mundo utilizando diferentes padrões abstratos e geométricos, desenhos recortando formas de pessoas e paisagens, maquetes com maniaturas de casas e móveis. Seu nome, Kirigami, advém do livro de Florença Temko, oqual fez tanto sucesso nos Estados Unidos em1962 que acabou se transformando no nome oficial desta arte. Atualmente tem como um dos principais representantes  o arquiteto Massahiro Chatani, professor do Instituto de Tecnologia de Tokyo.
  • Oribana -arte advinda da junção do Origami (arte de dobrar papel) com Ikebana (arte de arranjos florais), formando então a Arte de Arranjos Florais de Papel.  Nome foi inventado por Katrin e Yuri Shumakov na década de 90, quando começaram a divulgar tal arte.

No ranking dos E.T’s, teríamos como representante nosso queridíssimo Alien (O Oitavo passageiro) ou se preferirem, o Predador. De qualquer forma, ambos são de meter medo a qualquer um :

images (1)

Grupo IV – ou grupo da morte. Esqueçam tudo o que você ja ouviu ou viu sobre seres extraterrestres. Aqui o que vale são formas inusitadas e ações inesperadas. Netse grupo vemos o constante uso de tesoura e cola para o terror dos tradicionalistas, sendo por isto considerado um grupo totalmente fora do mundo do origami (seja tradicional ou não).

  • Quiling – é a técnica de enrolar ou ondular tirinhas de papel em diferentes formas , criando desenhos artísticos com vários rolinhos, que serão colados ao suporte (papel, tecido, couro, canvas, etc.). O Quilling também é conhecido como Filigrana de Papel ou Papel Enrolado. Existem evidências de que, em alguns pontos da costa do Mediterrâneo, por volta dos anos de 1500, em casas de religiosos eram executados trabalhos com tiras de papel, com o objetivo de decorar Bíblias e missais. Já no século XVII, o quilling era usado para decorar paredes de casas, principalmente com brasões de família.  Nos anos 70 o quilling foi redescoberto e atualmente é um grande sucesso no Brasil.
  • Paperfolding – também denominado como pepakura, é um método de construção de objectos tridimensionais a partir de papel, semelhante ao origami. Contudo, distingue-se em que a construção geralmente é feita com vários pedaços de papel, e esses pedaços são cortados com tesoura e fixados uns aos outros com cola, em vez de se suportarem individualmente.
  • Sliceforms  – modelos geométricos que são construídos a partir de conjuntos interligados de peças planas. São figuras montadas em “fatias” que podem ser achatadas e guardadas mesmo em um envelope. Um dos grandes nomes é  Jonh Sharpo qual disponibiliza vários modelos em seu site na internet. Já as  melhores referências sobre o assunto são dadas pelo matemático britânico / artista John Sharp, cujos livros “Sliceforms” e “Superfícies” incluem inúmeros exemplos bonitos feitos em papel colorido.

Como seu representante no mundo extraterreste, nós teríamos “A Bolha” —>

Você acha que acabou….errado, pense de novo. A arte de dobrar é tão grande que a cada dia surgem novos ramos, sejam “extraterestres” ou não (alguém já ouviu falar de Nanorigami??). Deixo para vocês alguma imagens de outras artes que envolvem dobrar e cortar juntamente com uma dica: “Inspire-se, arrisque, tente algo diferente”. Quem sabe você não é o próximo a estar expondo sua obra aqui ?? =u=

1.Arte com folhas secas – Lorenzo Duran.

2. Jeff Nishinaka, com suas esculturas de origami em 3d.

3.A artista francesa Anastassia Elias e sua arte em rolos de papel higiênico.

4. As obras de um designer inglês chamado Richard Sweeney. Ele faz esculturas de papel incríveis, combinando origami, kirigami e técnicas de papercraft,

5. Os artistas Allen e Patty Eckman fazem incríveis esculturas de papel.

 BOAS DOBRAS!!

Ps. Clique nas figuras para ampliá-las e poder admira melhor =u=!!